SEC propõe blockchain como registro legal para ações tokenizadas
Resumo de mercado por IA
A proposta da SEC de permitir que bases de dados eletrônicas, incluindo registros em blockchain, sirvam como o registro oficial e autorizativo de titularidade de valores mobiliários reduz a ambiguidade jurídica para ações tokenizadas e pode diminuir o risco de reconciliação e operacional em toda a infraestrutura de mercado. A iniciativa apoia padrões mais claros sobre a verdadeira titularidade legal versus a exposição via intermediários, ao mesmo tempo em que sinaliza o engajamento regulatório contínuo à medida que as emendas às regras de custódia de criptoativos avançam em direção à publicação. O endurecimento planejado da Travel Rule na Tailândia adiciona pressão de conformidade paralela sobre as exchanges.
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A Securities and Exchange Commission (SEC) dos Estados Unidos apresentou uma proposta para esclarecer qual base de dados deve valer como registro legal de propriedade no caso de ações tokenizadas. Hoje, esses ativos costumam ter dois registros paralelos: um na blockchain, indicando qual carteira detém o token, e outro mantido por um transfer agent (agente de transferência) legalmente reconhecido.
Pela proposta, bancos de dados eletrônicos — incluindo livros-razão em blockchain — poderiam ser aceitos como o registro oficial de titularidade de valores mobiliários. Na prática, a blockchain poderia se tornar o "master securityholder file", reduzindo a necessidade de conciliações entre registros on-chain e off-chain e diminuindo riscos jurídicos e operacionais. A mudança também tende a trazer mais segurança em situações como falências, quando divergências entre registros podem gerar disputas relevantes.
Mesmo assim, valores mobiliários baseados em blockchain continuariam sujeitos às leis de securities. A proposta não elimina toda a documentação fora da cadeia: transfer agents ainda precisariam manter controles como o control book, que registra a quantidade de valores mobiliários autorizados e em circulação. O transfer journal seguiria necessário para acompanhar emissões, cancelamentos e transferências. O objetivo, em síntese, é cortar a duplicidade do registro de propriedade — não abolir todas as bases de dados.
O debate ocorre em meio a discussões sobre o que, de fato, significa "1:1" em ações tokenizadas. O cofundador e CEO da Fairmint, Joris Delanoue, destacou no X que "1:1 backed" não equivale a "1:1 ownership", argumentando que o setor precisa deixar mais claro se o investidor recebe propriedade legal do valor mobiliário subjacente ou apenas exposição a um ativo mantido por um intermediário. Esse ponto ganha peso porque a proposta da SEC busca tornar o próprio registro de titularidade a referência autoritativa.
Em paralelo, a SEC está revisando regras de custódia de criptoativos ao preparar emendas propostas à Custody Rule, atualmente em análise pela OIRA da Casa Branca, com expectativa de publicação até outubro de 2026.
Fora dos EUA, a Tailândia anunciou planos para endurecer a regulação cripto a partir de 27 de fevereiro de 2027. Entre as medidas, exchanges licenciadas teriam de monitorar transferências P2P e identificar contrapartes, incluindo carteiras autogeridas dos usuários. Pela nova Travel Rule para ativos digitais, as plataformas também deverão registrar e reter informações de remetente e beneficiário por, no mínimo, cinco anos, com foco em reforçar controles de combate à lavagem de dinheiro.
Resumo: a proposta da SEC permitiria que livros-razão em blockchain fossem usados como registro oficial de propriedade de valores mobiliários, enquanto o regulador avança com a revisão das regras de custódia cripto por meio de mudanças na Custody Rule.