Pesquisa da OMFIF indica que bancos centrais pretendem reduzir exposição ao dólar pela primeira vez

Resumo de mercado por IA
A pesquisa da OMFIF com 90 gestores de reservas (> US$ 10T) mostra, pela primeira vez, uma intenção líquida de reduzir a exposição ao USD, enquanto o ouro é cada vez mais tratado como o hedge geopolítico preferido: 82% agora detêm ouro físico e um líquido de 30% planeja adicionar dentro de 1–2 anos. A mudança implica uma demanda estruturalmente favorável do setor oficial por ouro e um pano de fundo de diversificação gradual para o FX, sem que seja sinalizada uma demanda de reservas comparável para cripto.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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Pela primeira vez na história da pesquisa Global Public Investor, da OMFIF, mais bancos centrais afirmam que pretendem diminuir suas reservas em dólar do que aumentá-las ao longo da próxima década. A moeda que sustenta o sistema financeiro global desde Bretton Woods passa, pela primeira vez desde a criação do levantamento, a registrar intenção líquida de saída. Os resultados, divulgados em 30 de junho, reúnem respostas de 90 instituições que, juntas, administram mais de US$ 10 trilhões em ativos. Ouro volta ao centro como porto seguro A presença de ouro físico nas reservas ganhou força: 82% dos bancos centrais pesquisados dizem manter o metal, ante 71% no ano anterior. Em termos de intenção, o saldo líquido é de 30% das instituições planejando elevar a alocação em ouro nos próximos um a dois anos. O principal motivo não é teórico: 51% apontaram a proteção contra riscos geopolíticos como fator determinante. Entre as projeções, 61% esperam que o ouro alcance US$ 5.000 a US$ 6.000 por onça até junho de 2027. A tese do dinheiro multipolar ganha tração Apesar do movimento, o dólar ainda responde por cerca de 58% das reservas globais. Mesmo assim, 79% dos bancos centrais consultados enxergam uma transição de um arranjo monetário unipolar para um sistema multipolar. O euro aparece como um dos potenciais beneficiários: o saldo líquido de 29% indica planos de longo prazo para ampliar a participação da moeda europeia nas reservas. A pesquisa também aponta que mais de dois terços dos bancos centrais pretendem aprofundar o uso de inteligência artificial em suas estratégias de investimento. E as criptomoedas? As criptos não foram citadas especificamente como alternativa de reserva nos resultados da OMFIF. Mesmo com instituições que administram trilhões de dólares buscando diversificação para além da moeda dominante, o direcionamento indicado é para ouro e euro, não para ativos digitais. O que muda para investidores Para quem acompanha o mercado de ouro, o intervalo de US$ 5.000 a US$ 6.000 por onça até meados de 2027, projetado por 61% das instituições, merece atenção. No câmbio, o cenário tende a ficar mais complexo: a fatia de 58% do dólar nas reservas oferece um amortecedor relevante contra quedas rápidas, mas o sinal de direção é claro. Muitos entrevistados afirmaram ver a volatilidade atual como uma condição persistente, e não como anomalia passageira.