Metaplanet anuncia recompra de ¥60 bilhões em ações após tombo de 90% desde o pico

A Metaplanet autorizou um programa de recompra de ações de ¥60 bilhões (US$380 milhões) depois de seus papéis perderem quase 90% do valor ante o pico de ¥1.930 registrado em junho de 2025. As ações caem cerca de 36% neste ano e fecharam a ¥261 em 13 de outubro. A companhia pretende destinar até ¥28,3 bilhões (US$179 milhões) captados em uma nova emissão de títulos ao programa de recompra. A autorização permite adquirir até 200 milhões de ações ordinárias, o equivalente a cerca de 14,7% do capital em circulação, entre 14 de outubro de 2026 e 13 de outubro de 2027. A Metaplanet encerrou em paralelo uma autorização de recompra de ¥75 bilhões (US$475 milhões) criada em outubro de 2025, sob a qual não adquiriu nenhuma ação. As recompras começam em 14 de outubro pelo ToSTNeT-3, sistema de negociação fora de leilão da Bolsa de Tóquio. A operação inicial mirará até 96,9 milhões de ações por aproximadamente ¥25,3 bilhões (US$160 milhões). A execução integral pode reduzir o capital em circulação em cerca de 7,1%, mas o volume final dependerá do número de papéis ofertados à venda. Em 13 de outubro, a empresa anunciou a emissão de ¥52 bilhões (US$329 milhões) em títulos conversíveis em euroienes, sem garantia e com cupom zero, com vencimento em 2031. A oferta deve ser concluída em 29 de outubro, voltada sobretudo a investidores da Europa e da Ásia, e os papéis serão listados na Bolsa de Singapura. O financiamento substituirá parte da dívida com juros garantida por Bitcoin por um empréstimo sem pagamentos regulares de juros. A Metaplanet espera liberar Bitcoin dado em garantia, reduzir custos de financiamento e ampliar a flexibilidade financeira sem vender criptoativos. A dependência de empréstimos garantidos por Bitcoin já superou os limites internos de risco da companhia. Em 30 de setembro, havia cerca de US$649,5 milhões em aberto em uma linha de crédito de US$800 milhões garantida por posições em Bitcoin, o equivalente a 17,7% do valor patrimonial líquido das reservas de Bitcoin da empresa — acima da diretriz da administração de manter o índice abaixo de 10%. A Metaplanet detinha 44.000 BTC no fim de setembro e reconheceu que novas quedas do Bitcoin podem elevar o índice de alavancagem ao reduzir o valor de seus criptoativos. A empresa planeja destinar cerca de ¥23,6 bilhões (US$149 milhões) dos recursos dos títulos ao pagamento de parte dos empréstimos em aberto em novembro. A quitação reduziria o saldo da linha para aproximadamente US$500,5 milhões, e o índice de alavancagem cairia para cerca de 13,6%, com base nos valores patrimoniais reportados em setembro e supondo inalterados o preço do Bitcoin e as demais condições. O índice continuaria acima do limite de alavancagem preferido pela Metaplanet, mantendo a empresa exposta a novas desvalorizações do Bitcoin. A companhia admitiu que trocar empréstimos garantidos por Bitcoin por títulos conversíveis não reduz imediatamente o passivo total, ainda que diminua despesas com juros e a dependência de garantias. Investidores podem exigir o resgate após três anos, o que pode forçar a Metaplanet a refinanciar antes do vencimento dos títulos em 2031. A fraqueza do Bitcoin tem pesado sobre o ânimo dos investidores em relação às empresas de tesouraria de criptoativos ao longo da prolongada queda das ações da Metaplanet. A Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin com capital aberto do mundo, acumula ganho de cerca de 1% neste ano apesar da volatilidade do mercado cripto. O contraste evidencia a dificuldade da Metaplanet de sustentar a demanda dos investidores enquanto persegue uma estratégia de acumulação de Bitcoin. A desvalorização tem complicado a captação de capital em ações ordinárias sem diluir os acionistas atuais. Pela política revisada de alocação de capital, a Metaplanet evita emitir ações ordinárias quando sua relação entre valor de mercado e valor patrimonial líquido (mNAV) fica abaixo de 1. O indicador compara o valor da empresa com o valor patrimonial líquido de suas posições em Bitcoin. Emitir abaixo desse patamar reduziria a exposição por ação dos acionistas existentes ao Bitcoin. Recompras podem melhorar a métrica ao diminuir o número de ações em circulação, embora o benefício dependa dos preços de execução e de futuras emissões de capital. O CEO Simon Gerovich concordou em emprestar até 55 milhões de ações de sua propriedade por meio da Gerovich Family Holdings Limited, companhia integralmente controlada por ele. O arranjo dá suporte a operações de hedge associadas aos títulos conversíveis e prevê taxa anual de 0,75%. O empréstimo permitirá que investidores tomem papéis da Metaplanet emprestados e eventualmente os vendam para proteger posições nos títulos. Essas transações podem criar pressão vendedora mesmo com a companhia recomprando ações, ainda que o número de papéis efetivamente emprestados ou vendidos permaneça incerto. Os títulos também podem diluir os acionistas atuais caso sejam convertidos em ações. A Metaplanet pretende fixar o preço de conversão acima da cotação correspondente a um mNAV de 1 na data da emissão. Os termos finais de conversão ainda não foram definidos.