Bitcoin cai abaixo de US$ 60 mil com derrocada de techs e temor de alta de juros pelo Fed
O bitcoin voltou a operar abaixo de US$ 60 mil nesta quarta-feira, enquanto o ether recuou ainda mais, em um movimento de fuga de ativos de risco puxado pela queda de ações de IA e semicondutores e pelo aumento das apostas em uma nova alta de juros nos EUA. No acumulado de 24 horas, o BTC caiu cerca de 4% e rompeu o patamar de US$ 60 mil pela primeira vez em aproximadamente duas semanas; o ETH recuou por volta de 5%, segundo o CoinGecko.
A fraqueza se espalhou pelo mercado cripto. O valor total travado (TVL) em protocolos DeFi recuou para cerca de US$ 69,3 bilhões, ante aproximadamente US$ 73,2 bilhões no dia anterior — queda de cerca de 5% em um dia, de acordo com a DefiLlama.
Venda guiada por macro
O gatilho imediato veio das bolsas. O Nasdaq Composite encerrou a sessão anterior em baixa de cerca de 2,2%, pressionado por um tombo de ações ligadas a semicondutores e IA; um índice de chips amplamente acompanhado caiu perto de 8%.
O cenário ficou mais pesado quando traders elevaram as probabilidades de um aumento de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano, após o banco central manter a taxa-alvo na faixa de 3,50% a 3,75%, mas retirar o viés de afrouxamento. Juros mais altos tendem a fortalecer o dólar e aumentam o custo de oportunidade de ativos sem rendimento, como bitcoin e ether. O índice do dólar (DXY) subiu para o maior nível em mais de um ano.
Os fluxos institucionais também reforçaram a pressão. ETFs à vista de bitcoin nos EUA registraram a maior saída líquida em 30 dias da série histórica, com resgates por cinco semanas consecutivas, segundo números divulgados pela The Kobeissi Letter. Esses resgates levam participantes autorizados a vender bitcoin no mercado à vista, adicionando pressão técnica de venda ao movimento macro.
Aave na contramão
Em meio ao predomínio de quedas, a Aave se destacou entre os grandes tokens. O token de governança AAVE subiu cerca de 4% em 24 horas, segundo o CoinGecko, contrariando o restante do mercado. A Aave, um dos maiores protocolos de empréstimo descentralizado, reúne cerca de US$ 12 bilhões em depósitos e recebeu uma sequência de catalisadores otimistas neste mês.
O Standard Chartered iniciou cobertura do ativo na terça-feira com preço-alvo de US$ 3.500 até o fim de 2030 — cerca de 50 vezes acima dos aproximadamente US$ 70 atuais. Na mesma semana, a Aave publicou uma auditoria de segurança relacionada ao upgrade V4, e o fundador Stani Kulechov apresentou uma proposta para levar mercados tradicionais de títulos e financiamento para a blockchain.
Maiores quedas
A venda atingiu com mais força as grandes criptos de beta mais alto. O ADA, da Cardano, caiu cerca de 6% em 24 horas, a pior performance entre os principais tokens. Dogecoin (DOGE) recuou em torno de 6% e Chainlink (LINK) caiu perto de 5%, todos com desempenho inferior ao recuo de 4% do bitcoin, segundo o CoinGecko.
Solana (SOL) e XRP recuaram cerca de 4%, em linha com o BTC, enquanto o BNB também cedeu aproximadamente 4%. Entre as principais, o TRX, da Tron, foi o mais resiliente, com queda inferior a 1%. O HYPE, da Hyperliquid, caiu cerca de 3%.
Nenhum desses ativos apresentou catalisador específico no dia; os movimentos refletiram o ajuste amplo de aversão a risco, e não novidades em nível de protocolo.
Liquidações
A queda parece mais ordenada do que desorganizada. As liquidações no mercado somaram mais de US$ 700 milhões em 24 horas, com a grande maioria concentrada em posições compradas (long), sinal de redução de alavancagem, e não de pânico com saída de capital. Esse "reset" de alavancagem pode reduzir o risco de uma cascata abrupta de baixa.
Os próximos gatilhos seguem no campo macro, não on-chain. O mercado monitora os próximos dados de inflação dos EUA, que podem recalibrar as expectativas de juros, e qualquer estabilização nos fluxos dos ETFs, sinalizando retorno da demanda institucional.